sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Duas Vidas


Foto por Jen Lee

"Temos todos duas vidas:
A verdadeira, que é a que sonhamos na infância
e a que continuamos sonhando, adultos,
num substrato de névoa;
e a falsa, que é a prática, a útil,
aquela que acaba por nos meter num caixão"


Álvaro de Campos.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

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E se ser bom é ser injustiçado, eu prefiro a injustiça à maldade.

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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Quem vive de passado?

Sempre pensei nessa dualidade - que em muitos momentos se mostrou, na verdade, cumplicidade - entre esses dois grandes campos do conhecimento, Humanas e Exatas. Mas, de tanto pensar, nunca tive coragem de transformar isso em texto. Discorrer sobre assuntos que estão sempre presentes em minha mente me amedronta, de uma certa forma. Se o desconhecido me assusta, acho que o cotidiano me dá ainda mais medo.
Pensar em humanas me remete imediatamente ao nosso interior mais profundo. Em tudo que há de subjetivo e poético em nós, tratando-se inclusive da própria história. E, ao meu ver, em segundo lugar no ranking de importância das humanas, está a História. Vindo depois da Filosofia, a História representa tudo aquilo pelo que passamos e como nos tornamos o que somos hoje. Compreende os caminhos tomados pelo homem para este chegar ao nível ao qual chegou, e compreende também os caminhos que iremos tomar, já que o presente é o futuro passado.
Mas vamos sair da História e entrar na Matemática. Sem dúvida, a linguagem do universo: desde sempre. A Matemática é a mãe das outras ciências: química e física. Ambas são filhas dependentes: estudá-las sem compreender a matemática é suicídio.
Durante a História da humanidade, a ciência deselvolveu-se de forma iversamente proporcional à evolução humana, no sentido de sociedade e de compreensão. A Física desvendou a mecânica e criou as máquinas, enquanto a Química se encarregava de transformar as substâncias e descobrir o fundamento primeiro, aquele que a Filosofia tanto procurava com os filósofos de Mileto: o átomo. Enquanto isso, as Guerras Mundiais ocorriam e, além de pessoas morrendo, havia pessoas sendo duramente exploradas.
Pelo escrito até agora, elas pareceram andar juntas a maior parte do tempo, não? Sim, pode-se afirmar que sim, mas hoje em dia temos um quadro completamente distinto. Exatas e humanas não só distanciaram-se: tornaram-se rivais. Enquanto a Química, a Biologia, a Física e a Matemática imperam, as Humanas se arrastam, esgotadas, à procura de um espaço. Tentam mostrar que durante um tempo elas foram a base do que temos hoje, e que em se tratando de problemas sociais - o que mais se tem atualmente - elas podem ter a solução. Mas ninguem as ouve, porque a reflexão foi barrada. Atrelada à suprema economia, o campo das Exatas reina. Não valoriza aquela que foi um dia sua irmã, e a deixa desaparecer enquanto esquece que os próprios humanos, tortos e cheios de defeitos, descobriram e deselvolveram a tão amada ciência.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Só enquanto eu respirar


Já faz mais de um ano, meu amor. Faz mais de um ano que eu, boba, cometi o maior erro de minha vida. Mais de um ano daquela noite em que, vitimada, fiz mais outras vítimas: eu e você. Há mais de um ano estou inerte, me deixando levar por uma paixão que não tem para onde ir porque não tem como se sustentar. Porque, sabemos e sabíamos muito bem: nós somos impossíveis. Irrealizáveis. Mas não me basta, meu amor, eu insisto. Já te disse: vou te seguir aonde quer que você vá. E você pode casar com uma, duas, três. Cinco, dez, mil. Mas não vou sumir, e não digo materialmente: digo espiritualmente. E você pode acreditar que eu sinto muito. Só te guardarei aqui dentro de mim enquanto eu respirar.

sábado, 1 de agosto de 2009

Conclusão:

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Palavras podem falar sobre números
Números não podem falar sobre palavras


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quinta-feira, 23 de julho de 2009

Mijo Reciclado

.............................................................Fonte: UOL imagens

Minha revolta com o mundo moderno e sua cultura de ostentação não vem de hoje. Desde pequena, assistindo à não popular mas consicente TV Cultura, eu já demonstrava meus questionamentos e inocentes alfinetadas a essa cultura que com certeza gasta mais com maquiagem que com saneamento básico. Agora há pouco, assistindo ao estúpido Jornal Nacional, da mais estúpida ainda emissora Globo, me deparei com uma notícia que, apesar de já ter sido apresentada como uma previsão - assim como tantas outras, vide aquecimento global - em Não Verás País Nenhum, de Ignácio de Loyola Brandão, me surpreendeu: os astronautas hospedados no espaço há não-sei-quantos meses desenvolveram o que há de mais hi-tech: mijo reciclado. Arram, eles bebem - e, daqui a algum tempo, nós beberemos - mijo reciclado.
Vamos recapitular?

"
'Se está apertado, vá ao Posto Apropriado', diriam (...) Os postos apropriados correspondem aos antigos mictórios públicos, reconcidcionados, cheios de sofisticada maquinária própria.
(...)Os postos dão conforto, você fornece a urina. Para freqüentá-los é necessário um exame médico rigoroso, análise detalhada dos rins e da bexiga. Comprovada sua boa saúde, o cidadão privilegiado recebe a Ficha de Utilização para o Posto Apropriado, FUPA.
A sua urina é comercializada. Com a falta de água, aparelhos recolhem a urina saudável numa caixa central, onde se procede à reciclagem. Há mistura, tratamento químico intenso, filtragem, purificação, refinamento, transformação. A urina retorna branca, pura, sem cheiro, esterilizada. Dizem que dá para beber."
Trecho de "Não Verás País Nenhum" , pg. 33 - Ignácio de Loyola Brandão

Eis o processo de transformação de mijo em água. Água de beber. De beber?
As extravagâncias e a falta de consciência do mundo moderno, estas por sua vez estimuladas pela tecnologia a cada dia mais avançada, criaram um cenário catastrófico. Fedor, calor, caos. Comida artificial, mijo reciclado. E alguns anos antes, mais precisamente em 2009, o Jornal Nacional comemora a descoberta da "nova água" que, como outras descobertas espaciais (ferramentas movidas a bateria, relógio digital) provavelmente será utilizada pela humanidade, se seguir o mesmo tempo das outras invenções, daqui a uns cinqüenta anos. Bom, o meu maior desejo, neste momento, é morrer aos sessenta e sete.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

To love is to suffer


"Natasha, amar é sofrer. Para evitar o sofrimento, não se deve amar. Mas, então, sofre-se de não amar. Portanto, amar é sofrer... Não amar é sofrer... Sofrer é sofrer. Ser feliz é amar. Para ser feliz, então, deve-se sofrer; mas o sofrimento nos torna infelizes. Então, para ser feliz deve-se amar, ou amar para sofrer, ou sofrer de tanta felicidade."

Trecho de "Love & Death" - Woody Allen