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quarta-feira, 23 de julho de 2008

Ausência (ou As Cores)


Enquanto sentia-se aquecida pela luz do sol, ela não sabia direito distingüir aquele sentimento que lhe acelerava e expremia o coração. Parecia uma mescla de saudade e carência; não só saudade, mas uma vontade de apertar, de abraçar, de ver, de consumir. De contemplar, enfim.
Não conseguia tirar da memória aqueles olhos grandes, tão bonitos, nem o jeito doce e forte de abraçar, nem o cheiro que parecia ter ficado impregnado em suas narinas.
Ela sentia falta, isso era fato. Só faltava descobrir, ainda, se aquilo que sentia era mesmo saudade.

Modelo da foto: Lorena Bastos

segunda-feira, 21 de julho de 2008

As Cores


Então ela olhou pela janela do ônibus, viu um dia azul de sol e falou para si mesma: "o mundo não parece assim tão triste". Pensou em todas as cores que se confundiam, em todo o brilho que quase agredia seus olhos e naquele sol que insistia em iluminá-la.

Foto por Márcia

You Know I'm No Good

­Era o desejo, a vontade, o tesão. O egoísmo fortificado pela ânsia, os lábios compartidos, os olhos devassos. O cheiro do sexo, do vinho, do cigarro. A casa repleta de calcinhas jogadas no chão, camisinhas transbordando no lixo do banheiro. Baratas, moscas e formigas transitando pelos pratos sujos na mesa. A chuva lá fora, a janela fechada, a televisão ligada e ela estendida em sua cama, pálida feito papel. Cigarro numa mão, pulsos cortados. Toda a sua vida suja deixada como herança, e seu espírito rondando a sua própria existência.
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