Ao tentarmos definir o que é a esquerda brasileira, entramos numa questão muito complexa e ao mesmo tempo muito simples. Muito complexa porque tem muita gente que acha que ser de esquerda é obrigatoriamente ser comunista. Não. Ser comunista é defender um modelo de sociedade ideal, na qual haveria uma convivência harmoniosa entre todas as pessoas, igualdade absoluta. Ser de esquerda não é sonhar com a sociedade perfeita; é enxergar e tentar mudar os defeitos da nossa sociedade.
Exemplifiquemos com o que nos está próximo: atual crise do sistema neoliberal. Como se sabe muito bem, quando eclode uma crise é porque algo não estava indo bem, é porque faz-se necessário consertar alguma coisa. Pois vejamos, "crise do NEOLIBERALISMO". Se quem está em crise é o sistema neoliberal, quem conseqüentemente precisa ser modificado, ou exterminado? O Neoliberalismo, ora pois. E o que é o Neoliberalismo? Em palavras simples, a farra do mercado, a mão invisível do Estado. Então, se esse sistema que visa apenas a alimentação do mercado e desconsidera problemas sociais entra em crise, o que se conclui? Que é necessária uma interferência maior - ou existente, digamos assim - do Estado. Mesmo que se tenha criado o Estado intervencionista pós-29, faz-se necessária agora a sua reelaboração.
Conluindo, camaradas, ser de esquerda é isso. Como disse Emir Sader, a característica da esquerda brasileira contemporânea é ir de encontro aos paradigmas neoliberais. E eu assino embaixo: enquanto Olavo de Carvalho & cia sonham com a vida infinita desse sistema predatório, eu, o Emir Sader, a crise de 2008 e a (verdadeira) esquerda do Brasil gritamos: Neoliberalismo, BYE BYE!
