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quarta-feira, 25 de março de 2009

Esquerda no Brasil

Bom, o que é ser de esquerda no Brasil? É gostar de Marx? É usar camisa do Che Guevara? É pichar nos muros da cidade "ABAIXO A DITADURA"? É achar Obama gatinho? Não, não.
Ao tentarmos definir o que é a esquerda brasileira, entramos numa questão muito complexa e ao mesmo tempo muito simples. Muito complexa porque tem muita gente que acha que ser de esquerda é obrigatoriamente ser comunista. Não. Ser comunista é defender um modelo de sociedade ideal, na qual haveria uma convivência harmoniosa entre todas as pessoas, igualdade absoluta. Ser de esquerda não é sonhar com a sociedade perfeita; é enxergar e tentar mudar os defeitos da nossa sociedade.

Exemplifiquemos com o que nos está próximo: atual crise do sistema neoliberal. Como se sabe muito bem, quando eclode uma crise é porque algo não estava indo bem, é porque faz-se necessário consertar alguma coisa. Pois vejamos, "crise do NEOLIBERALISMO". Se quem está em crise é o sistema neoliberal, quem conseqüentemente precisa ser modificado, ou exterminado? O Neoliberalismo, ora pois. E o que é o Neoliberalismo? Em palavras simples, a farra do mercado, a mão invisível do Estado. Então, se esse sistema que visa apenas a alimentação do mercado e desconsidera problemas sociais entra em crise, o que se conclui? Que é necessária uma interferência maior - ou existente, digamos assim - do Estado. Mesmo que se tenha criado o Estado intervencionista pós-29, faz-se necessária agora a sua reelaboração.
Conluindo, camaradas, ser de esquerda é isso. Como disse Emir Sader, a característica da esquerda brasileira contemporânea é ir de encontro aos paradigmas neoliberais. E eu assino embaixo: enquanto Olavo de Carvalho & cia sonham com a vida infinita desse sistema predatório, eu, o Emir Sader, a crise de 2008 e a (verdadeira) esquerda do Brasil gritamos: Neoliberalismo, BYE BYE!

quinta-feira, 19 de março de 2009

Tibetan Freedom

Hoje vi um filme sobre o qual já tinha ouvido muito, "Sete Anos no Tibet". Apesar de já ter estudado o Imperialismo e conseqüentemente a dominação chinesa sob o país budista, não tinha me envolvido emocionalmente nem tomado conhecimento tão profundo da cultura tibetana. De uma sensibilidade imensa, o filme, que é baseado na autobiografia da personagem principal, Heinrich Harrer, mostra o quão rica e lúcida é a cultura teocêntrica do Tibet.
Marxista que sou, sempre critiquei muito a religião: já fui atéia, inclusive. Hoje em dia não sei definir esse meu campo, apesar de me questionar cotidianamente sobre a existência ou não de um deus.
Retomando o filme, além deste mostrar, como já disse, a imensa maturidade do povo Tibetano - que, por sinal, tem como uma de suas maiores virtudes a paz -, "Sete Anos no Tibet" me fez refletir sobre esse entrosamento entre culturas distintas, principalmente o ocidente com o oriente. Tornou-se perceptível no filme a diferença principal entre estes dois pólos mundiais: a preocupação com o espírito, com o ser. O ocidente, tomado pela ganância e pela supervalorização das capacidades humanas, esqueceu de olhar para o interior do homem. O oriente, por sua vez, valoriza o ser e o espírito acima de tudo: pouco importam os feitos grandiosos que se pode realizar, é necessário saber tornar grandioso mesmo o menor dos feitos.
No momento em que Heirinch chega ao Tibet e começa a cultivar uma amizade com o 14º Dalai Lama, Tenzin Gyatso, ocorre uma rica troca de culturas, experiências, conhecimento. Tenzin mostra saber muito bem conciliar a utilidade da cultura ocidental com a espiritualidade da cultura oriental. E, ao ensinar o ocidente ao jovem amigo, Heinrich sobretudo aprende com ele.
A história termina infelizmente com a ocupação da China comunista, pós IIª Guerra, no Tibet. A partir daí, inicia-se um período de genocídio e etnocídio vigente até os dias atuais. Deste modo, a própria ação imperialista da China ressalta mais uma vez uma das adversidades não só entre o oriente e ocidente, mas entre toda a humanidade: por ser budista, regido por um Estado Teocêntrico, o Tibet sofre as conseqüências da ganância cega, atéia da China comunista: não se aturam diferenças. Como certa vez o disse Otto em uma de suas músicas, eu repito: Free Tibet, para mim, é pessoal.

Sobre as doenças pós-carnaval & a ditadura da felicidade

Vivemos numa província: fato. Província que, apesar de esquecida não só pelo resto do país como também por si mesma na maior parte do ano, nos 6 dias que consistem o Carvaval ela se torna simplesmente "o estado mais amado do Brasil". Bonito, não? Chegam os turistas, hospedam-se, banham-se em nossas praias, comem nossos acarajés, pulam frenética e ininterruptamente nosso (?) Carnaval, sujam nossas ruas, consomem nossa energia, nossa água, nossa internet, nosso telefone... E vão embora. Felizes da vida. Eis que eles vão, mas não se vão por completo. Deixam lembranças: doenças. Vírus. Bactérias. E nós, sortudos, que moramos nesse império da alegria, contraímos seus "presentes".
Mas não, não se enganem: a culpa não é do turista. Culpa, não. Melhor dizendo: responsabilidade. Pois então, a responsabilidade não é deles. É dos "amigos" que administram este estado mais amado do Brasil. Então, cadê a capacidade de suportar tanta gente, hein? Cadê a nossa infra-estrutura? Cadê o planejamento não-realizado da cidade? E por fim, onde está a estrutura que intrinsecamente pede saúde pública de qualidade, responsável por toda a nossa população afetada? Simplesmente é quase inexistente.
Das epidemias, portanto, surge um problema mais grave: a morte. Morte não por sina, não por acidente: morte por falha administrativa. Morte porque, desde os tempos coloniais, impera-se neste Brasil, e, por razões óbvias, particularmente na Bahia, uma ditadura burra. Uma ditadura que prega a felicidade. A felicidade falsa: a felicidade que aliena, que ignora, que mata, que exclui.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

À Beira da Loucura

Depois do Big Brother Bairro, do Movimento dos Sem Pier, da propaganda das Havaianas onde "o Brasil NÃO TEM PROBLEMAS, MEU VELHO" (frase dita por um brasileiro, negro), dos vários banhos dados em Salvador por João Henrique, exceto banhos de saúde de qualidade, segurança, paz, sistema de transporte organizado e educação que se preze, da "vida é dura prá quem é mole" e da quase reeleição desse imbecil que no momento assume a prefeitura da minha - não sei até quando - amada cidade, vos digo, meus queridos: tenho medo, morro de medo do futuro do meu Brasil, temo que o país - quase não mais - verde, amarelo e azul torne-se de vez cinza. Meus queridos, por um milagre, com certeza por um milagre, não estou à beira da loucura.

domingo, 28 de setembro de 2008

O Acordar dos States

Depois de passar quase sessenta anos numa economia desenfreadamente consumista e liberal (ou neoliberal, se preferirem), os nossos amiguinhos USA sofrem um baque: a crise econômica, conseqüência da supervalorização do mercado.
A China, emergindo, dá logo os sinais de mais nova potência mundial, enquanto, na Casa Branca, Bush - desesperado, pedindo perdão a Deus - e seus discípulos tentam dar um jeito na merda que fizeram. O acordo proposto pelo ex-presidente (?) pede encarecidamente aos cidadãos estadunidenses 70 bilhões de dólares. Eis que a população do consumo vai ter de se adaptar a viver com pouco! Espera-se, então, que não só a população, mas também os banqueiros - principais responsáveis pela crise - sofram as conseqüências. Contudo, nossos queridos amiguinhos democratas exigem que se pague aos banqueiros uma determinada quantia para continuar mantendo-os ricos. Isso mesmo! A população que pague, se vire, enquanto os que desencadearam toda a confusão continuam no conforto. Há, portanto, uma rivalidade na aceitação do acordo: dar ou não dar aos banqueiros, além do fato de os republicanos defenderem a autonomia do mercado com unhas e dentes. Entretanto, se esta rivalidade não for resolvida, o acordo acabará por não ser aceito. Se não for aceito, o mundo inteiro poderá dar bye bye ao Neoliberalismo: a economia de todo o mundo será afetada. Seria, então, o colapso do capitalismo? Será esta a hora de outro modo de produção instaurar-se no mundo? Apesar de não gostar muito do capitalismo, tenho minhas dúvidas. Eu gostaria, sim, que ocorresse essa mudança brusca, mas mesmo que não ocorra, o "liberou geral" do mercado, assim como a hegemonia estadunidense de imposição consumista, podem arrumar suas malas e dar adeus a este mundo aqui - ou bye bye, se preferirem.