quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Ao "homem que presta":

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Quando você vier à terra, por favor, me dê um toque, ok?
Estou esperando.

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Olhos nos Olhos

De início ela não dava tanta importância àquele que causava suspiros em todos os tipos de mulheres. Via-o somente como mais um cumprindo seu dever em meio a tantos outros.
Apesar de simpatizar com seu jeito e notar seu modo diferente de ser, custou um bom tempo para que notasse sua beleza, que para tantas outras já era óbvia.
Seu encanto começou com um olhar. Um olhar, somente. Num momento em que os dois estavam próximos, seus olhos se encontraram. E ela derreteu. Por segundos apenas, mas derreteu. Algo de diferente acontecia, ela pensou, enquanto ele fixava o olhar e ao mesmo tempo o desviava.
Dias se passaram, e seu encanto crescia. Nunca tinha se apegado a um olhar daquele modo. Só sabia pensar nos momentos de encontro, e enquanto estava com ele não fazia outra coisa se não fixar seus olhos nos dele.
Ele, com o tempo, parecia notar todo o jogo. Não era bem um jogo, mas sim uma atmosfera estranha, afrodisíaca. Ele mostrava-se envolvido, chegava perto, olhava fixamente nos olhos dela, freqüentemente. Sorria, sorria lindo, sempre que os olhares se encontravam.
Certa vez, depois de tanto encontro entre os olhares, resolveram não desviá-los e deixá-los fixos. Eis que ocorreu uma atração mútua, repentina, e os dois se aproximaram. Primeiro, enquanto os olhos continuavam fixos uns nos outros, encontraram-se as mãos. Em seguida, os braços. No instante máximo, aquele que precede o esperado há tanto tempo, há a face a face. Os segundos de silêncio. Os pensamentos a mil. E, finalmente, o encontro dos lábios. Ela há tanto tempo sonhava com isso, algo que parecia tão inalcançável. Não conseguia acreditar, mas havia acontecido: seus corpos finalmente e, por fim, se encontravam.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Roda Viva


"Em casa, havia duas latas na cozinha. Uma para coisas que apodreciam fácil. Restos de comida, pó de café, papel, cascas de ovo. Os desagradáveis. Outra para vidros, latas, plásticos. Um dia, observei muito bem. A lata vazia pela manhã, enchendo gradualmente durante o dia. Completamente cheia à noite.

Depois, a lata ia para fora, o lixeiro apanhava na madrugada. Ela voltava ao lugar no dia seguinte. Vazia pela manhã, enchendo gradualmente durante o dia. Quando descobri a repetição, compreendi também o mecanismo. Repetição. Levantar, tomar café, sair, trabalhar, voltar, comer, ver tevê, deitar.

Uma roda girando sem sair do lugar. Produzindo o quê? O vazio. Moto-contínuo. Funcionaria a vida inteira, sem parar. A menos que alguém interrompesse. Se ninguém impede, as coisas continuam, eternizadas. É preciso sempre intervenção, que alguém se interponha, se transforme em obstáculo à repetição."


Não Verás País Nenhum - Ignácio de Loyola Brandão

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

À Beira da Loucura

Depois do Big Brother Bairro, do Movimento dos Sem Pier, da propaganda das Havaianas onde "o Brasil NÃO TEM PROBLEMAS, MEU VELHO" (frase dita por um brasileiro, negro), dos vários banhos dados em Salvador por João Henrique, exceto banhos de saúde de qualidade, segurança, paz, sistema de transporte organizado e educação que se preze, da "vida é dura prá quem é mole" e da quase reeleição desse imbecil que no momento assume a prefeitura da minha - não sei até quando - amada cidade, vos digo, meus queridos: tenho medo, morro de medo do futuro do meu Brasil, temo que o país - quase não mais - verde, amarelo e azul torne-se de vez cinza. Meus queridos, por um milagre, com certeza por um milagre, não estou à beira da loucura.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Em suma: sumo

O que deixo para trás: uma caneta, um colar, umas paixões mal resolvidas, algumas noitadas problemáticas, uns atos autofágicos, muita solidão.
O que vou encontrar: algumas paisagens maravilhosas, montanhas, muito frio, muito calor, novas pessoas, nova família, tudo limpo, branco, zero. Novo.

domingo, 28 de setembro de 2008

O Acordar dos States

Depois de passar quase sessenta anos numa economia desenfreadamente consumista e liberal (ou neoliberal, se preferirem), os nossos amiguinhos USA sofrem um baque: a crise econômica, conseqüência da supervalorização do mercado.
A China, emergindo, dá logo os sinais de mais nova potência mundial, enquanto, na Casa Branca, Bush - desesperado, pedindo perdão a Deus - e seus discípulos tentam dar um jeito na merda que fizeram. O acordo proposto pelo ex-presidente (?) pede encarecidamente aos cidadãos estadunidenses 70 bilhões de dólares. Eis que a população do consumo vai ter de se adaptar a viver com pouco! Espera-se, então, que não só a população, mas também os banqueiros - principais responsáveis pela crise - sofram as conseqüências. Contudo, nossos queridos amiguinhos democratas exigem que se pague aos banqueiros uma determinada quantia para continuar mantendo-os ricos. Isso mesmo! A população que pague, se vire, enquanto os que desencadearam toda a confusão continuam no conforto. Há, portanto, uma rivalidade na aceitação do acordo: dar ou não dar aos banqueiros, além do fato de os republicanos defenderem a autonomia do mercado com unhas e dentes. Entretanto, se esta rivalidade não for resolvida, o acordo acabará por não ser aceito. Se não for aceito, o mundo inteiro poderá dar bye bye ao Neoliberalismo: a economia de todo o mundo será afetada. Seria, então, o colapso do capitalismo? Será esta a hora de outro modo de produção instaurar-se no mundo? Apesar de não gostar muito do capitalismo, tenho minhas dúvidas. Eu gostaria, sim, que ocorresse essa mudança brusca, mas mesmo que não ocorra, o "liberou geral" do mercado, assim como a hegemonia estadunidense de imposição consumista, podem arrumar suas malas e dar adeus a este mundo aqui - ou bye bye, se preferirem.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

"And no, I'm not ashamed
But the guilt will kill you
If she don't first

I'll never love you
Like her...

But we need to find the time
To just do this shit together
'Fore it gets worse
I wanna touch you,
But that just hurts..."